quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Trabalhador do conhecimento

A necessidade de se firmar como indivíduo e pertencer a um todo social, contribuindo de um modo mais criativo, motivador e desafiante nas organizações ou nos locais de trabalho, passou a fazer parte do dia-a-dia de pessoas ávidas de aprender e que necessitam de praticar o seu aprendizado.
Da revolução industrial a sociedade de informação, “a maioria dos trabalhadores foi preparada para o emprego e não para o trabalho autónomo”, segundo António Serrano e Cândido Fialho em sua obra Gestão do Conhecimento.
A preocupação pelas transformações e/ou revoluções operadas nos ambientes de trabalho, sugerem uma reflexão para o modo de ser, agir e estar do trabalhador contemporâneo.
– Francisco Cruz, docente universitário, sugere o rompimento do antigo status quo do trabalhador manual, para garantia de melhor eficiência e eficácia. Em Angola a formação não é escolhida por aptidão o que dificulta a adopção de novos desafios. Assim novos desafios são vistos como obstáculos e não objectivos estratégicos a atingir, concluiu.
A formação e a aprendizagem constante, contribuem para o desenvolvimento de novas habilidades e competências e, actualmente, as Universidades, preocupadas em formar o profissional para o mercado de trabalho adequam os curriculum académicos com as realidades sociais.
- Virgílio Lucas Maria, oficial superior das FAA, sustenta que as modificações operadas no seu ambiente de trabalho são notáveis e com ênfase no cumprimento do Regulamento militar, na cortesia e na bancarização dos salários. Afirma que a formação dos efectivos e a inserção das novas tecnologias são factores que contribuíram para a reafirmação deste “homem novo” o Trabalhador do conhecimento.
Luis Henrique Boff e Mara Abel, no seu artigo Auto desenvolvimento e competências: O caso do trabalhador do conhecimento como especialista, definem trabalhador do conhecimento todo o profissional que utiliza a informação como insumo combina-a com o seu conhecimento individual e gera nova informação como produto da sua actividade.
As empresas, por sua vez, também correm a um ritmo acelerado para o equilíbrio entre o tradicional e a nova vaga de necessidades detectadas no mercado, aperfeiçoando em treinamento os seus recursos humanos.
Apesar das modificações observadas no cenário competitivo das organizações, poucos são os actores sociais atentos as mesmas. O termo Trabalhador do conhecimento é novidade para uma larga maioria de trabalhadores. Santos António João, funcionário público, questionado sobre o trabalhador do conhecimento, mostrou-se surpreso e afirmou nunca ter ouvido falar sobre o assunto.
Num mundo em que norteiam a escassez de tempo e as consequências do aquecimento global é preciso buscar a conjugação perfeita entre a gerência no sentido tradicional e as expectativas do trabalhador para a liberdade de efectuar escolhas e de assumir responsavelmente consequências.
Neste sentido, constituem desafios para o trabalhador contemporâneo; a capacidade de controlar a desordem frente a um universo caótico e a um futuro utópico, de criar valor a partir do processamento de informação e de usar o conhecimento disponível e aplica-lo de forma produtiva, sugerem António Serrano e Cândido Fialho in Gestão do Conhecimento, citando Zorrinho (2001).

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O que é qualidade?


Aproveito a oportunidade para expôr e elucidar, fruto de uma leitura do artigo de HERBERT GONÇALVES ESPUNY, publicado dia 30 de Setembro de 2007, a forma como eu e provavelmente, muitas pessoas, vinham de um modo impirico conceituando a qualidade.

Passo na integra o seu artigo:


O QUE É QUALIDADE? “Qualidade é a adequação ao uso. É a conformidade às exigências”(1). Esta é a definição técnica estabelecida pelo ISO – INTERNATIONAL STANDARDIZATION ORGANIZATION, situado na Suíça e responsável pelas normas de Qualidade, em diversos setores, no mundo inteiro. Contudo, quando falamos de Qualidade é forçoso render-se a definições mais abrangentes. “Qualidade tem a haver , primordialmente, com o processo pelo qual os produtos ou serviços são materializados. Se o processo for bem realizado, um bom produto final advirá naturalmente. A Qualidade reside no que se faz – aliás – em tudo o que se faz – e não apenas no que se tem como conseqüência disso”(2). Ou, em outras palavras, todos os processos de uma determinada atividade são importantes; se os processos forem desenvolvidos com qualidade, o produto final terá qualidade.

Cabem aqui algumas observações. Se perguntarmos a várias pessoas leigas ,“O que é Qualidade?”, provavelmente receberemos várias respostas diferentes. A Qualidade está ligada a sentimentos subjetivos que refletem as necessidades internas de cada um. Muitas pessoas avaliam a Qualidade pela aparência; Outras se voltam à qualidade do material com que é feito o produto. Outras, ainda, avaliam a Qualidade de alguma coisa pelo preço. Existem várias dimensões da Qualidade.

O aspecto objetivo, mensurável da Qualidade, é o processo. É através dele que se pode implantar sistemas como o da ISO-9000, por exemplo. Isto pode ser aplicado desde a fabricação de um automóvel até a confecção de um sanduíche. Utilizemo-nos de dois exemplos de Qualidade nas atividades citadas: o veículo Rolls Royce e os sanduíches McDonald`s. Tanto um quanto o outro têm todas as suas etapas de desenvolvimento bem estabelecidas. É a valorização dos processos. A tinta na coloração exata, as máquinas da linha de produção perfeitamente reguladas, os parafusos nos lugares corretos, o tempo de fabricação perfeitamente controlado, um veículo exatamente igual ao outro. Da mesma forma, os componentes do sanduíche sempre do mesmo fornecedor, a chapa de fritura aquecida na mesma temperatura, a forma do manuseio do sanduíche sempre com higiene resultando num produto final bastante parecido, independente da lanchonete que se utilize. É o chamado padrão de Qualidade. Contudo, outras dimensões da Qualidade existem que não podem ser mensuradas. Podemos não duvidar da higiene de um sanduíche McDonald`s mas podemos, também, não apreciar suas instalações (muitos acreditam que suas mesas e bancos sejam tão somente adequados às crianças e aos adolescentes). Podemos não duvidar da Qualidade de um Rolls Royce, mas podemos criticar o seu preço. Ou seja, as organizações preocuparam-se em estudar a Qualidade nas dimensões não atingidas pelos processos. Daí surgiu a Qualidade Total.

A Qualidade Total é muito abrangente e se dedica a estudar a satisfação dos clientes. O conceito de cliente deve ser estendido ao ponto de, todos - numa organização – serem considerados clientes. São os clientes externos (todos que entram em contato com a organização e que não são parte integrante da mesma) e os clientes internos (todos os funcionários e setores da organização). Dessa forma são avaliadas as relações dos diversos departamentos de uma organização e as relações desta com a sociedade como um todo.